Abertura:
28 de maio de 2009
Exposição:
De 28 de maio a 04 de julho de 2009
Carlos Vergara nasceu em Santa Maria (RS), em 29 de novembro de 1941. Aos dois anos de idade, muda-se para São Paulo, e em 1954 para o Rio de Janeiro. Inicia com artesanato de jóias em cobre e prata, cujo resultado expõe em 1963, na VII Bienal Internacional de São Paulo. A aceitação de suas jóias na Bienal leva-o a considerar a arte como atividade mais permanente. Nesse mesmo ano, torna-se aluno do pintor Iberê Camargo, no Instituto de Belas Artes (RJ). Passa, em seguida, a ser assistente do artista, trabalhando em seu ateliê. Em maio de 1965, participa do XIV Salão Nacional de Arte Moderna (RJ). Conhece o artista Antonio Dias, integrante do mesmo Salão, e participa da mostra ‘Opinião 65’ no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em dezembro do mesmo ano, integra a mostra ‘Propostas 65’, na Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo.
Em março de 1966, com o apoio técnico dos arquitetos André Lopes e Eduardo Oria, vence o concurso para execução de um mural no auditório da Escola Nacional de Saúde Pública, em Manguinhos (RJ), com projeto de painel realizado com tubos de PVC, medindo 4m de altura por 18m de comprimento. Este projeto inicia sua aproximação à arquitetura, atividade paralela ao processo artístico, presente até hoje em sua vida. Em abril, recebe o Prêmio Piccola Galeria, do Instituto Italiano de Cultura, destinado aos jovens destaques brasileiros nas artes plásticas. Ainda em 1966, integra a coletiva ‘Pare: Vanguarda Brasileira’ na Reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais. Em agosto, faz parte da mostra ‘Opinião 66’, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com a obra ‘Meu Sonho aos 18 Anos’. Em outubro, estreia a peça teatral ‘Andócles e o Leão’, de Bernard Shaw, montada pelo Grupo O Tablado. Esta é sua primeira participação como cenógrafo, atividade que continuará a desenvolver durante a década de 1960.
Em março de 1967, recebe o Primeiro Prêmio de Pintura no I Salão de Pintura Jovem de Quitandinha, Petrópolis (RJ), e, no mês seguinte, o prêmio aquisição O.C.A. no Concurso de Caixas, evento promovido pela Petite Galerie (RJ), que seleciona exclusivamente obras concebidas em formato de caixa. Em abril, é um dos organizadores, juntamente com um grupo de artistas liderados por Hélio Oiticica, da mostra ‘Nova Objetividade Brasileira’, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que procura fazer um balanço da vanguarda brasileira produzida no país. Em setembro, participa da IX Bienal de São Paulo, quando obtém o Prêmio Itamaraty. Em 9 de outubro, realiza mostra individual na Petite Galerie. Nesta exposição, Vergara apresenta obras realizadas com materiais industriais.
Em 1968, realiza sua primeira mostra individual em São Paulo, na Galeria Art Art, apresentando, entre outros trabalhos, o resultado de suas recentes experiências: caixas feitas com papelão de embalagem, deslocando das próprias pilhas de embalagens da fábrica para os então sacralizados espaços de museus e galerias, transformando-as em esculturas. A exposição tem texto de apresentação de Hélio Oiticica. Ainda em 1968, realiza cenários e figurinos das peças ‘Jornada de um imbecil até o entendimento’, de Plínio Marcos, montada pelo Grupo Opinião, com direção geral de João das Neves, música de Denoy de Oliveira e letras de Ferreira Gullar, e ‘Juventude em crise’, de Bruchner, juntamente com o artista Gastão Manuel Henrique, apresentada no Teatro Gláucio Gil (RJ).
Em maio de 1969, é selecionado para a X Bienal de São Paulo. No mesmo mês é escolhido, junto com Antonio Manuel, Humberto Espíndola e Evandro Teixeira, para representar o Brasil na Bienal de Jovens, em Paris. O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro organiza uma mostra dos artistas que participariam dessa bienal, mas algumas horas antes a exposição é fechada por ordem do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores. Em novembro, realiza nova mostra individual na Petite Galerie. Interessado em investigar as relações entre arte e indústria, trabalhando na fábrica de embalagens Klabin, expõe trabalhos em papelão: figuras empilhadas, sem rosto, e objetos-módulos, criados para a Feira de Embalagem, além de desenhos e objetos moldados em poliestireno.
Na década de 70, o trabalho se transforma: adere à figura – marcada pelas imagens de festas e da vida urbana – e passa a realizar projetos premiados para agências da Varig, no Brasil e no exterior. Nos anos 80, abandona a figuração e inicia uma investigação pictórica: são concebidas monotipias de grande dimensão, onde vigora a acumulação de pigmentos postos em camadas. Investindo, na década seguinte, numa escala mais íntima, busca uma pintura transparente, valorizada pela delicadeza dos contrastes cromáticos. Os registros de vestígios naturais ou arquitetônicos somam-se aos fósseis impressos, formando um novo atlas da paisagem brasileira.
A partir dos anos 80, a pintura de Vergara investe no rigor, mas não perde a aventura da experiência. Abandona a figuração marcada pelas imagens das festas e da vida urbana que marcou durante anos sua obra, iniciando uma investigação pictórica à qual pertence, por exemplo, o conjunto dos trabalhos conduzidos em Minas Gerais, numa pequena indústria de pigmentos para tinta. As telas são impressas no local, como monotipias, e depois sofrem intervenções do artista que muitas vezes lhes acrescenta outras cores. A generosidade de sua escala nos gratifica, o campo visual é literalmente tomado pela sua amplitude e somos envolvidos e transportados para o local como se o artista pudesse nos levar para o momento da conclusão do trabalho. No seu desenvolvimento mais recente, Vergara apresenta, em escala mais íntima, as monotipias sobre a boca de forno da usina de pigmentos em Minas Gerais. Nessa nova escala a monumentalidade, o aspecto cênico e a atmosfera crepuscular existentes nas grandes telas, as pinturas são claras e leves. As intervenções cromáticas do artista somando-se à impressão são quase transparentes.
À pintura delicada e sem espessura dessa investigação, se opõe a força dos contrastes cromáticos e a acumulação de pigmentos em camadas de outros trabalhos recentes. Nessas telas se inicia uma nova experiência pictórica de Vergara onde, seduzido pelos pigmentos terra e vermelhões que vem pesquisando há alguns anos, estes não apenas contribuem para colorir como para fornecer uma base e uma textura trabalhada para o efeito cromático dos amarelos e azuis que vêm se sobrepor. Esses trabalhos indicam ainda um desenvolvimento no sentido de reunir na mesma superfície as duas vertentes que Vergara vinha investigando paralelamente: de um lado a sombra das imagens impressas, paredes, boca de forno, traços e marcas do chão da usina de pigmento, em telas sempre escuras, de outro lado, a alegria da festa cromática abstrata numa memória oblíqua de alguém que durante anos teve no carnaval do Rio um dos seus temas preferidos.
As viagens pelo Brasil – interior de Minas, Pantanal – prolongam e ampliam a latitude do trabalho. Aos vestígios e fósseis da usina de pigmentos, vêm fazer companhia os registros de calçamento em “pé-de-moleque” de cidades históricas e as próprias marcas da natureza. Esse novo Atlas pictórico da paisagem brasileira, registrado sem os recursos da anedota banal ou da figuração fácil, consiste na contribuição do artista a um vocabulário plástico contemporâneo ancorado em valores locais passíveis de serem compreendidos dentro de uma nova espacialidade para a pintura neste país.
Em 2000, participa das coletivas Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento, Fundação Bienal (SP); Século 20: Arte do Brasil, Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa); no Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão (Lisboa); e Situações: Arte Brasileira Anos 70, na Fundação Casa França-Brasil (RJ). Realiza individual na Silvia Cintra Galeria de Arte (RJ). Em 2002, é convidado a fazer parte do projeto Artecidadezonaleste (SP), para o qual cria uma intervenção na praça da estação Brás do metrô. Em dezembro, tem sala especial na mostra ArteFoto, no Centro Cultural Banco do Brasil (RJ), com curadoria de Ligia Canongia, e seu trabalho ‘Cacique de Ramos: Iguais Diferentes’ ganha destaque. Na ocasião, mostra fotografias realizadas entre 1972 e 1975 e plotagens recentes a partir do mesmo material. A partir de maio de 2003, apresenta a primeira grande retrospectiva de seu trabalho, no Santander Cultural (POA), no Instituto Tomie Ohtake (SP) e no Museu Vale do Rio Doce, Vila Velha (ES), com curadoria de Paulo Sergio Duarte.
Carlos Vergara integrou quatro edições da Bienal de São Paulo, em: 1963, 67, 69 (ano em que participa também da Bienal de Medellín) e 89, e representou o Brasil na Bienal de Veneza, em 1980.
Abertura:
28 de maio de 2009
Exposição:
De 28 de maio a 04 de julho de 2009
















