Abertura:
08 de junho de 2013
Exposição:
De 08 de junho a 06 de julho de 2013
Beatriz Franco é artista plástica e fotógrafa. Sobre sua obra já foi escrito que ao estabelecer uma relação entre o real e o imaginário – desejos e limites -, e que utilizando diferentes técnicas, incorporada por desenhos, objetos, palavras, novas mídias, suas fotografias apresentam um olhar inquisidor e contemplativo sobre elementos do cotidiano, as incontáveis dualidades do existir.
Quando do lançamento do livro – A Fotografia na Bahia – 1839-2006 – Rubens Fernandes escreveu: “Na produção desse período predomina, com força incomum, a fotografia documental colada no referente, em busca de flagrar o cotidiano, a fé e a religiosidade do povo baiano, as festas populares e a exuberância da paisagem natural. As raras exceções são os trabalhos de Mario Cravo Neto, as fusões de Edgar Oliva, as panorâmicas de David Glad, as pequenas narrativas de Beatriz Franco e o estranhamento das cores incomuns de Hirosuke Kitamura.”
Na sua exposição, em 2008, na galeria Mônica Filgueiras, o fotógrafo e artista plástico Carlos Fédon escreveu: “Fiquei muito impressionado com o que vi e senti. Ali estava, numa montagem etérea, um pequeno e ao mesmo tempo denso conjunto de fotografias, equilibrado pela obra em vídeo, desnudando um quadro de afetos e preocupações elegantemente dispostos (ênfase nos dipticos e na escala intimista), mas eivados da dureza de um tempo inesperado (proporcional à sua travessia pessoal, ser feminino e amoroso), no entanto sem abrir mão da poesia e força vital (tonalidades, desenho das formas, códigos visuais) declarados em paralelo nos títulos quase cifrados (omitidos nas paredes, mas recuperados na lista de obras). Fossem outras as circunstâncias uma pequena publicação (incluindo o vídeo: I cannot keep the night from coming) seria bem vinda para preservar e difundir seu precioso trabalho, por certo suave e cortante como indica o próprio título. Ao refletir sobre minha visita fui reler Fernando Pessoa, e ocorreu-me transcrever um pequeno trecho: “Com um olhar / Que, sem o poder ver, Sei [?] que é sem ar / De olhar a valer.”
Claudio Neri Psicanalista Italiano (Sobre a exposição CalaFrio de Beatriz Franco, 2008)
Teu pai está a cinco braças;
Dos seus ossos nascem corais;
Dos seus olhos, pérolas;
Nada nele desvanece;
Tudo nele se transforma drasticamente
Em algo esplêndido e estranho*
O tempo e o mar operam uma extraordinária transformação: ossos se tornam corais, olhos se transformam em pérolas. Beatriz Franco tenta alguma coisa diferente: ela aproxima, num instante, capilares que sangram e um fragmento de céu. A nossa condição é Standing in the spaces na vibração de sentimentos e pensamentos que podem ficar próximos, mas não integrados.
Os dois pequenos olhos – cinza pérola e vermelho sangue –, contradizendo a si mesmos, me falaram de maneira sabia e um pouco engraçada: “A vida de todos os dias teve seu último poeta em James Joyce. Tem um valor e uma beleza fora de moda e difícil de conhecer. Sentimos muito, mas você foi longe demais, venha mais perto”.**
Só me pareceu possível olhar para as quatro imagens de Ovos que não deitei de uma maneira: atravessando-as da primeira à quarta e, então, novamente, da quarta à primeira por um velocíssimo raio de luz de um sentimento. Em palavras, este sentimento vibrante e musical poderia ser expresso dizendo-se que a vida é sempre docíssima e sutil. Das imagens atravessadas começaram a surgir no ar em volta pensamentos e sensações: rejeição e medo; sedução e mistério; espanto pela crueldade de uma vida privada e íntima tão violentamente exposta; admiração. A beleza das cores rosa e cinza e pérola que, ao se fundirem, chegam ao branco, um ritmo lento de respeito, espera e esperança.
* Trecho de A Tempestade de Willian Shakespeare
** Trecho de Joyce’s Ulysses: a talking cure? de Declan Kiberd
Abertura:
08 de junho de 2013
Exposição:
De 08 de junho a 06 de julho de 2013












