PAULO PASTA •

Abertura:
25 de maio de 2017

Exposição:
De 25 de maio a 01 de julho de 2017

Uma obra  abstrata, nas quais utiliza uma gama cromática reduzida, explorando variações tonais, pode ser vista como uma das características marcantes na pintura do artista Paulo Pasta, que pela primeira vez o público baiano terá oportunidade de conhecer através de uma mostra individual.

Pintor, desenhista, ilustrador, gravurista, professor, para o crítico Rodrigo Naves, “trata-se de uma obra que consegue nos transmitir uma experiência dos ritmos da passagem do tempo – as várias dinâmicas históricas – altamente verossímil. Do sentimento lírico, de uma experiência mais subjetiva do tempo, passa-se a uma relação problemática, com uma temporalidade avassaladora, conduzida por processos sociais e tecnológicos promissores e, simultaneamente, apreensivos”.

Paulo Pasta nasceu em Ariranha, São Paulo, em 1959. Gradua-se em artes plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 1983. É mestre em artes plásticas pela ECA/USP, em 2002. Doutor em artes visuais, 2010, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo ECA / USP (SP).

Atua como arte-educador, na Pinacoteca de São Paulo, entre 1987 e 1999. Tem relevante atividade docente, formando novos nomes de destaque na arte brasileira contemporânea, lecionando pintura na Faculdade Santa Marcelina, 1987/1999, e desenho na Universidade Presbiteriana Mackenzie, entre 1995/2002. Professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), onde ingressa em 1998, e da USP, desde 2011. Ministra ainda cursos livres em várias instituições culturais, como o Museu Brasileiro de Escultura (MuBE) e o Instituto Tomie Ohtake.

Em 1984, realiza sua primeira exposição na Galeria D. H. L., em São Paulo. Entre suas individuais destaque para: Estação Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2006; Galeria Millan, São Paulo, e na Galeria Art’Lounge, em Lisboa, 2007;  Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, 2008; Centro Cultural Maria Antônia, 2011; Instituto Tomie Ohtake e Fundação Iberê Camargo, 2013 ; Galeria Millan, São Paulo,  Museu Afro Brasil, São Paulo, e no Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, SP, 2015; e em 2016, no Palazzo Pamphilj, Embaixada do Brasil em Roma, Itália.

Recebe a Bolsa Emile Eddé de Artes Plásticas, em 1988. Em 1990, recebe o Prêmio Brasília de Artes Plásticas no Museu de Arte de Brasília (MAB/DF) e, em 1997, o Prêmio Price Waterhouse – Conjunto de Obras, no 25º Panorama de Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Suas obras estão em coleções públicas/Institucionais, como  Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu de Arte Moderna de São Paulo; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro; Instituto Itaú Cultural, São Paulo; Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS; Museu de Arte de Brasília; Instituto Figueiredo Ferraz, Ribeirão Preto, SP; SESC São Paulo, São Paulo; Kunsthalle Berlin, Berlin, Germany.

Em 1998, é publicado o livro Paulo Pasta, pela Edusp; em 2010 dedica-se à produção de serigrafias e publica o álbum 9 serigrafias pela Papel Assinado, São Paulo; em 2012 lança o livro Educação pela pintura, uma coletânea de textos do pintor editada pela WMF Martins Fontes; em 2006, o livro Paulo Pasta, pela Cosac Naify; em 2013, o livro Paulo Pasta, na coleção Folha Grandes Pintores Brasileiros, coedição com o Instituto Itaú.

Claudius Portugal num texto escrito especialmente para a exposição, diz: “Paulo Pasta é visto pela crítica como um pintor essencialmente pintor. Esta afirmativa surge ao se somar os vários caminhos de sua arte – a maneira de lidar com a linguagem e o contemporâneo da arte, no modo de abordar as questões da pintura em nosso tempo, o uso das formas e das cores sobre o plano da tela. Uma trajetória marcada por uma coerência, onde estão desde contradições e complementariedades, nas formas em seu equilíbrio, nas cores como vibração do ato de pintar, e em sua sedução para a visualidade do espectador. Uma poética de articulação e de desdobramento”.

“Nascido no interior de São Paulo, ingressa em 1978 na Faculdade de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da USP. Começa a expor individualmente em 1986. Neste primeiro período, com a série Canaviais, em lápis de cor e pastel seco, passa a ter o que se chama cor da memória. A cor em seu próprio corpo e não das coisas. A transição cromática não com um sentido literário, mas como poético, pela síntese, pelo alumbramento, pela essência e pelo sensível, iniciando seu repertório de pintor”.

“Desta primeira fase forma-se uma relação mais direta entre desenho e cor. Em seguida, sua pintura busca elementos em objetos e formas, blocos geométricos, e a técnica adquire novos materiais, podendo considerá-las como paisagens escultóricas. Num outro momento temos o uso da encáustica, uma técnica milenar. A cor em suas sobreposições de tintas e de uma consistência pictórica, levando-o a exercer uma pintura matérica, feita na relação com a matéria plástica, em camadas que criam a possibilidade de uma ação sobre as cores, surgindo então os encavos e as escavações, o período das ogivas riscadas sobre camadas de cor”.

“Esta materialidade continua uma relação fundamental em sua pintura até hoje, principalmente as transparências e a opacidade, a figuração e a abstração, o contraste que sobressai nos trabalhos. Seguindo sua trajetória, passa a exercer uma pintura com elementos de construção em telas grandes. Fase dos Cacos. Com origem no piso de seu atelier e nas calçadas paulistanas. Após os Cacos temos as Colunas, onde a técnica desloca-se para o óleo e a passagem das cores. Sobre esta “convivência entre as diferenças, e uma busca da ordem”, este período vem a deflagrar Piões, Vigas, Cruzes, onde a forma curva surge da base das colunas, o vazio e o silêncio”.

“Os trabalhos de Paulo Pasta nestes mais de trinta anos de pintura reafirmam em todas suas fases paisagens que buscam outras. Não são cortes radicais. Aliás, inexiste isto na sua pintura, em seus desdobramentos. Pode-se perceber naturalmente que as Vigas estão presentes até hoje nas Cruzes e Portais de agora, reafirmando a grande coerência para sua pintura, seja na sua verticalidade ou na horizontalidade das figuras, no pensar dos desenhos e pinturas (Paulo trabalha também com xilos e litos), onde o real é na sua superfície apresentado, em lugar de representado, e onde pintar é uma continuidade e uma ruptura com o fazer histórico, dialética que podemos considerar ponto fundamental para que formas e cores se encontrem nesta pintura deslimitada nos horizontes de sua linguagem”.

Abertura:
25 de maio de 2017

Exposição:
De 25 de maio a 01 de julho de 2017