Goya Lopes e Nadia Taquary / SP Arte Rotas 2025 •

Abertura:
28 de agosto de 2025

Exposição:
De 28 de agosto a 31 de agosto de 2025

Nádia Taquary

Uma saudação à ancestralidade e deste encontro com a história baiana à criação de obras nas artes visuais através da relação com sua historicidade, identidade, mestiçagem e religiosidade, abarcando questões relacionadas à presença e à importância do negro no Brasil, a força e a beleza na herança dessa história, em seu viver/vivência, revelam não só uma história das mazelas do tráfico negreiro e da escravidão, mas uma obra que abarca o sentimento de deuses, uma cultura com seu próprio caminho, e um processo e criação onde a reflexão de questões ligadas à poética do trabalho e situações contemporâneas revisitam a história e a tradição, buscando com sua arte colocá-la cada vez mais consciente no mundo que vivemos, é que Nádia Taquary faz seu percurso como artista.

São esculturas, objetos-esculturas, instalações e videoinstalações que revelam uma investigação artística de uma poética relativa à história do Brasil, através de um olhar contemporâneo sobre a tradição, a herança africana, ancestralidade diante da opressão e da esperança de liberdade. Esculturas, objetos-esculturas, instalações e videoinstalação criados com uma mistura de madeira de demolição ou de origem certificada, ouro, prata, contas, figas, pastilhas de coco, búzios, palhas e miçangas presentes em várias delas, entre outros materiais, acarretando nesta investigação um conhecimento da história do negro no Brasil. Esculturas, objetos-esculturas, instalações e videoinstalação que retratam a cultura religiosa afro-baiana, sua história e identidade, a partir de uma pesquisa pela ourivesaria colonial, os balangandãs das escravas. É a partir deste encontro com a história baiana, deste conhecimento ancestral, que a artista iniciou seu percurso como escultora, a projeção de um olhar sobre as joias de crioulas e os adornos corporais africanos, e que por meio de uma poética e uma estética compõem sua criação e seu próprio imaginário acerca da religiosidade e da cidadania negra.

Nádia Taquary é baiana, nascida em Salvador. Graduada em Letras pela UCSAL e pós-graduada em Educação, Estética, Semiótica e Cultura pela EBA-UFBA. Em 2011, realizou sua primeira individual A Bahia Tem…, no Museu Carlos Costa Pinto. Seu trabalho já foi apresentado, entre outros locais, no MAR (Museu de Arte do Rio, 2014), na SPArte (2016), na Arte Rio (2015), no Museu de Arte da Bahia (2014), na III Bienal da Bahia (2014) e na Galerie Agnès Monplaisir (Paris, 2016). Está em diversas coleções públicas e particulares no Brasil e no exterior.

 

Goya Lopes

Artista plástica, designer têxtil, Goya Lopes (Maria Auxiliadora dos Santos Goya Lopes) é formada em Belas Artes pela Universidade Federal da Bahia, com especialização em design, Expressão e Comunicação Visual, na Universidade Internacional de Artes de Florença, onde também estudou litografia. Ainda na Itália iniciou seu conato com a moda, que vem depois a tornar-se um dos pilares de sua carreira. Ao retornar ao Brasil dedica-se a estamparia e conclui o curso de design de moda no Instituto Brasileiro de Moda em São Paulo. Sua obra é marcada pela criação de estampas em cores vivas e pela exclusividade dos desenhos lançados em edições limitadas.

Através de suas criações, seus trabalhos contam histórias da sociedade brasileira. Em 1986, criou a marca Didara (“bom”, em iorubá) na cidade de Salvador, com conceito artístico de usar a estamparia como técnica para contar histórias da ancestralidade afro-brasileira. Através do trabalho desenvolvido entre os anos 1980 e 1990, se tornou conhecida nacionalmente na área do design têxtil com a temática afro-brasileira, Goya Lopes trabalha com a perspectiva de que expressões estéticas da moda afro-brasileira materializadas por meio de elementos relacionados à vida da população negra, com chances de estarem ligadas aos antepassados ou a ritos religiosos.

A moda afro-brasileira de Goya não faz referência somente ao continente africano, e utiliza também elementos de diversas culturas existentes no Brasil, como a cultura indígena, portuguesa, e, delas, desenvolve a sua própria identidade. Em síntese, a moda afro-brasileira nasce da mistura e, diante disso, constrói o visual afro-brasileiro. Nesse sentido, podemos considerar que a moda pode estar associada a origens étnicas que conversam com particularidades históricas e culturais, interferindo nos comportamentos e vestimenta do ser humano, e trabalha com a perspectiva de expressões estéticas da moda afro-brasileira materializadas por meio de elementos relacionados à vida da população negra, por estarem ligadas aos antepassados ou a ritos religiosos desenvolve a sua própria identidade. Em síntese, sua criação nasce da mistura da cultura brasileira.

A sua validação como artista plástica e designer gerou o convite para organizar com seus trabalhos a ambientação da sala de recepção do presidente Itamar Franco para os presidentes ibero-americanos, e, no Itamaraty, a sala onde o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu os cumprimentos das missões especiais estrangeiras em sua posse, em 1995. Também trabalhou na decoração do hall de entrada da Fundação Palmares, em 1997, e no exterior, em 2000, para a Fundação Ford, em Nova Iorque. Entre 2000 e 2001, atuou como professora, oferecendo aulas de desenho no curso de Design Aplicado à Moda e estamparia na Universidade de Salvador, mais oficinas de pintura em tecido e processo criativo em diversas capitais, como Brasília, São Paulo e Salvador. Realizou exposições individuais e em conjunto, em diversos locais, como Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Espanha, Itália, Portugal e Estados Unidos.

Abertura:
28 de agosto de 2025

Exposição:
De 28 de agosto a 31 de agosto de 2025