Anderson Santos •

Abertura:
30 de janeiro de 2020

Exposição:
De 30 de janeiro a 19 de fevereiro de 2020

O nome da exposição é “Floresta Negra”. O artista, Anderson Santos. Baiano de Salvador, nasceu em 1973, é pintor, trabalhando principalmente com o óleo sobre tela, cartão, madeira, e desenhista, utilizando o grafite ou o carvão sobre papel, e destes dois caminhos desenvolvendo pintura e desenho digital no iPad, adaptando a técnica tradicional para esta nova realidade digital, com isto realizando experimentos em vídeo, cartazes e storyboards para cinema.

Marcada pela presença humana e de animais, onde a imagem dentro da imagem está sujeita a manchas ou proporções que a distorcem, Anderson Santos produz uma pintura expressiva, ao trazer a figura, em sua angústia e seu cotidiano, a uma posição central, tema logo visível desde o início de suas mostras em 2002, e nas diversas fases, séries, ou nos assuntos seguintes que elabora tendo como títulos – alegorias, dissonâncias, mulheres. Mas o tempo é o seu tema maior.

Há em sua obra várias influências contemporâneas, como ele mesmo diz: “Tive um terrível impacto ao ver o trabalho de Francis Bacon, fiquei perplexo como no trabalho dele, a tinta/carne se dissolvia e ainda se podia ver naquilo tudo uma aparência com o objeto representado, como se de repente a figura se tornasse ainda mais viva, ou melhor, mais real. Como numa compulsão tentei me aproximar do universo pictórico de Bacon, como ele também fizera com Velásquez e Picasso. Essa influência, mesmo já estando diluída, pode ser vista até hoje no meu trabalho, principalmente na paleta de cores em que trabalho”.

O figurativo destas obras, em seus tons ou nuances, provoca a tensão entre dois mundos, o instável e o estável, e neles as dissonâncias que trazem um desenho (sua base para o salto é o desenho), aonde absorve temas desde a decrepitude da carne, (ou seria do afeto?), ao imprimir uma visão do envelhecimento e da morte, contundente, cáustica, incomodativa em seu retrato real, “nos quais o humano é capaz de contrariar, negar, distorcer, ignorar e até mesmo desencadear uma perda de contato com a realidade estável”, mas que não a torna de inteira realista, pois ao criar cenas apropriadas, não devemos esquecer que seu trabalho elabora uma pintura de composição, e disto, ao acrescentar o tom de suas cores, que em variações mínimas objetivam o que quer apresentar.
Se olharmos por outro caminho, temos em Anderson a criação das imagens em movimento, as cenas não são estáticas, este é só um momento de transição entre dois instantes, e onde se encontra um entendimento maior para absorver deste seu mundo o que seria imutável por outro que traz a mobilidade, para com isto superar o caráter de representação, o já nomeado realismo figurativo, tão visível, que de tão visível deixa de ser visto, mas que serve em sua pintura ou desenho para confrontar o espectador diante da superfície, no contraste dos planos, sem deixar, contudo, ver o conteúdo íntimo da imagem, apenas as mudanças que tende ainda a ousar ao nos colocar diante de tal reflexão, principalmente por ele pintar e desenhar não o que vê, mas o que elas acabam despertando em nós. Estamos diante de obras para nos fazer pensar – na arte, na vida.

A mostra “Floresta Negra”, além da pintura tradicional utiliza a potência do tablete IPad e aplicativos para pintura e desenho de última geração que simulam a textura das principais ferramentas artísticas como lápis ou tinta óleo e que permitem aplicar a técnica que desenvolve da sua pintura sobre tela para a realidade digital. Oferecendo obras pintadas diretamente a mão na tela do iPad que resultam em arquivos digitais versáteis, impressos em papel de alta qualidade ou em canvas, mas que servem também para camisetas, proteção de tela para computadores, capas para tablets e smartphones, canecas e uma infinidade de aplicações.

Anderson Santos é graduado em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Tem mostras nas principais capitais brasileiras. Participou na Itália da Expoarte, expôs em Milão, em ocasião da Expo 2015, e da Esposizione Triennale delle Arti Visive em Roma. Possui obras em coleções particulares e fundações no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos.
Entre suas atuações vale ressaltar a de professor, ministrando oficinas de pintura digital com tablete, voltada àqueles que desejam aprender a desenhar e pintar com os novos aplicativos que simulam a pintura tradicional para IPad e tabletes, com foco no aplicativo artrage disponível para os sistemas operacionais iOS e Android.
Anderson foi um dos membros do coletivo  internacional responsável pela publicação da revista online Boardilla (http://issuu.com/boardilla), na qual se ocupava da editoração gráfica e curadoria, além de produzir e dirigir artisticamente as exposições de artes visuais da revista. Atualmente é Diretor Artístico de Ripensarte (http://ripensarte.it/) e um dos responsáveis pela publicação da revista online Magazzino (http://magazzino.ripensarte.it/pt/). Divide seu atelier entre Salvador e Milão.

 

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A singularidade dessa mostra está estruturada em um processo sensível de como as técnicas de pintura tradicional são renovadas no encontro com as novas mídias. Os aspectos conceituais abordados remetem à instauração de uma problemática cada vez mais constante na contemporaneidade que diz respeito ao fluxo de imagens, sua fruição e a cultura remix. É, segundo o filósofo Philippe Dubois, na incrustação – textura vazada e na espessura da imagem – que, de certa maneira, os espaços de produção da imagem são reorientados.

Anderson Santos se irmana a uma nova tendência de autores que ao utilizar o digital como dissolução da imagem tem como imperativo conhecê-la para finalmente desintegrá-la. Essa transição poética da pintura a óleo para o digital não passa por um aperfeiçoamento, mas sim por uma licença que permite ao artista se reautorizar como pintor, pois isola a pintura para desfigurá-la, sem hierarquia ou convenção de gosto. Desse modo, compreende uma visão mais polissêmica do que entendemos como pintura contemporânea. Cria ao modo do que preconiza Gilles Deleuze em “A lógica da sensação”, para tratar das obras de Francis Bacon, uma fuga em direção a uma forma pura, por abstração; ou em direção a um puro figural, por extração ou isolamento, obtido numa equação de tentativa e erro, própria do fazer artístico.

“Floresta Negra” é um divisor de águas na poética de Anderson. Nela, ele amadurece, se encontra com sua família e seus filhos nos contos e fábulas dos irmãos Grimm, envolto na dualidade, no obscuro e o sombrio. Se no passado sua pintura tentava neutralizar a narração e a figuração, nesse momento as micronarrativas invadem o seu cotidiano traçando novas visões de futuro ou de afro futurismo.

Danillo Barata

Abertura:
30 de janeiro de 2020

Exposição:
De 30 de janeiro a 19 de fevereiro de 2020