Mario Cravo Jr
S/título – Série Cabeças
Criando objetos, murais, painéis, relevos, desenhos, pinturas, e principalmente esculturas, utilizando tanto a madeira como o ferro, o latão, outros metais, ou a resina de poliéster, fibra de vidro, sucata, metal polido, pedra-sabão, pedra-grafite, com apropriações, montagens e remontagens, de onde surgem esculturas giratórias, Exus, Cristos, figuras, móbiles, esta é uma arte que vem sendo renovadamente criada, reelaborada em seu senso táctil, sem dependência temática, referência estilística, mas de intenso relacionamento com o mundo e as pessoas por sua experiência da forma e de intensa vitalidade e criação.
Desde o início de sua trajetória, realiza trabalhos em locais públicos, experimentando um contato direto de sua arte com o público, através de inúmeras obras urbanas, esculturas de grande porte e murais, em ruas, praças e avenidas, edifícios públicos e empresariais, mas também realizando mostras em museus, com trabalhos nos acervos dos Museus de Arte Moderna de Nova York, Jerusalém, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Pampulha em Minas Gerais; Museu de Arte de Jerusalém, Rio Grande do Sul, Bahia, Feira de Santana, São Paulo; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Museu Afro Brasil; Fundação Armando Álvares Penteado; Museu Chácara do Céu – Fundação Raymundo de Castro Maya; Museu de Arte Sacra da Bahia; Museu da Cidade do Salvador; Museu de Antropologia da Bahia; Núcleo de Artes do Desenbahia; Museu Hermitage (Rússia); Walker Art Center (Minneapolis, Estados Unidos).
Um dos pioneiros da arte moderna na Bahia e um dos grandes artistas brasileiros do século XX, Mario nasceu em Salvador, Bahia (onde vive), em 13 de abril de 1923. Escultor, gravador, desenhista, em 1947 realizou sua primeira exposição individual, no Edifício Oceania em Salvador. De 1947 a 1949, residiu em Nova York (Estados Unidos), onde era aluno do escultor iugoslavo Ivan Mestrovic, na Escola de Belas Artes da Syracuse University.
De volta a Salvador, abriu um ateliê-oficina, que impulsionou o movimento de arte moderna na Bahia. Em 1950 iniciou pesquisa das fontes de artes popular e erudita no Norte e Nordeste do Brasil. Participou do programa Artist in Residence, em Berlim (Alemanha), realizando várias exposições nos anos de 1964 e 1965. Representou o Brasil na XXX Bienal de Veneza, como escultor convidado, e na IV Exposição Internacional da Escultura Contemporânea no Museu Rodin, Paris, França, ganhou prêmio na I Bienal de São Paulo, em 1951. Participou da XXVI Bienal de Veneza; da IV Exposição Internacional de Escultura Contemporânea no Museu Rodin, Paris; da I Exposição Bienal Internacional de Gravura de Tóquio; da I Bienal Nacional de Artes Plásticas, em Salvador, com sete esculturas criadas na proporção do claustro do Convento do Carmo, formulação até aquele momento inovadora em conceito e forma, com suas peças medindo de três a sete metros de altura.
É doutor em Belas Artes pela UFBA. Em 1981, coordenou a implantação do curso de especialização em Gravura e Escultura na Escola de Belas Artes da UFBA, em Salvador. Nessa mesma cidade, em 1994, foi inaugurado o Espaço Cravo, no Parque Metropolitano de Pituaçu, com 50 esculturas ao ar livre sob a forma de objetos tridimensionais – estáticos, móveis, e sonoros –, e uma galeria para trabalhos em várias técnicas, recentemente fechada (2017) por um insano ato estatal.
Mas Mario Cravo Júnior não para de criar novos trabalhos. Desde o começo suas esculturas e relevos em aço, em ferro, em cobre, e em latão, ou suas pinturas e desenhos trazem este ímpeto, esta não acomodação, uma criação que não o deixa quieto, sempre sendo ultrapassado pelo interesse vivo por novos materiais, por um novo foco na sua atenção, como foi recentemente com a pedra-grafite, e dele a criação de pequenos objetos. A cada novo elemento, um novo desafio. Parece ser este o seu lema. E a vida, nela a arte, incessantes desafios. Uma permanente pesquisa e indagação. Uma vitalidade sem par na arte baiana desde que iniciou com desenhos e esculturas sua trajetória nas artes plásticas, trajetória que o leva durante a caminhada a ser admirado diariamente por quem vive e transita na Bahia, nas muitas obras públicas de sua autoria espalhadas em ruas, praças e avenidas.
S/título – Série Cabeças , 1989
escultura em madeira pintada e objeto de ferro
95 x 70 x 35 cm


