Rodrigo Frota •

Abertura:
13 de julho de 2012

Exposição:
De 13 de julho a 11 de agosto de 2012

Com uma mostra de 25 trabalhos, em dimensões variadas, a fotógrafo cearense Rodrigo Frota apresentou-se pela primeira vez na Bahia na Paulo Darzé Galeria de Arte. Sua fotografia não percorre um tema específico, indo de paisagens a abstrações, passando pelo figurativo, o que no dizer do artista e crítico José Guedes nos traz um “profissional inventivo, sensível, e rigoroso em todos os processos da elaboração de seu trabalho; do ângulo do click ao tipo de impressão das imagens, da temperatura cromática ao emolduramento”.

Biografia

Rodrigo Frota nasceu em 1984. Ganhou sua primeira câmera Reflex de seu pai aos 15 anos de idade. Começou seus estudos na fotografia quando foi morar na Suíça, em Rolle, uma pequena cidade entre Lausanne e Genebra, onde viveu durante três anos, de 2000 a 2003, cursando o segundo grau no Institut Le Rosey – Suiça – IGCSE Exams – Arts e estudos de extensão no Curso de Fotografia (Básica e Avançada) e na área de técnicas artísticas e história da arte.

De volta ao Brasil em 2007 conclui bacharelado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Fortaleza, e passa a trabalhar como fotógrafo do setor de marketing durante dois anos, primeiro como assistente, e no segundo assumindo o posto de fotógrafo publicitário. Continua seus estudos na fotografia, cursa cinema pela Casa Amarela.

Seus trabalhos estão publicados em importantes jornais e revistas como O Globo (capa), Diário do Nordeste e revista Bravo!, Vogue, Jornal Diário do Nordeste, Catálogo XVI Unifor Plástica, Catálogo Paralelo Vertical, Revista Wavewind, Revista Wakebrasil, Revista Aldeota, Jornal O Povo, Universidade de Fortaleza, Academia Personal Care, Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral, Bali Express Móveis, New Piates, Revista Joyce Pascowitch – Estilo.

Realizou exposições coletivas em 2009 na XVI Unifor Plástica – Espaço Cultural UNIFOR, Fortaleza; 2006, Paralelo Vertical – Palácio da Independência, Lisboa, Portugal; Paralelo Vertical – Iguatemi, Fortaleza, Brasil; e 2004, Mostra Universitária – UNIFOR, Fortaleza. Em individuais realizou em 2011 Pictoriais – Museu de Arte Contemporânea – CDMAC; 2009, Fragmentos de Viagem – Centro Cultural Dragão do Mar. Foi premiado com Menção Honrosa – XVI Unifor Plástica – Fotografia e na 1ª Mostra Universitária – UNIFOR. Esta é a sua primeira exposição individual na Bahia.

Subjetividade do olhar

Uma das características de Rodrigo Frota é sua inquietação em buscar e resolver equações do olhar. Dedicação, persistência e cuidado com o fazer são traços que lhe conferem um profissionalismo raro. Pictoriais é sua primeira exposição de fotografias em nosso estado, e fica em cartaz até 11 de agosto, na Paulo Darzé Galeria de Arte – Rua Dr. Chrysippo de Aguiar, 8, no bairro da Vitória. A expo consta de 25 trabalhos em várias dimensões, resumo de suas constantes viagens de trabalho e pesquisa no Brasil e exterior. A curadoria é de José Guedes, artista visual e crítico de arte cearense, formado em Direito em 1983. Guedes dirigiu o Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar de 1998 a 2003, para voltar ao mesmo cargo em 2007. É uma referência na arte brasileira, uma das personalidades mais atuantes no Ceará. Seu texto de apresentação é primoroso.

Rodrigo Frota não segue temas específicos, busca muito mais a fixidez da imagem escolhida como assunto, seguindo sua intuição e sentimento no momento da apreensão do instante. Mostra-se um atento observador do cotidiano, com delicada subjetividade que confere aos trabalhos um caráter único.

Seu desafio é trazer para uma estampa estática um grande grau de informações, especialmente as fotos aéreas, realizadas dum helicóptero, que evocam sentimentos, curiosidade e abre ao espectador inúmeras possibilidades de interpretações. Nessa mostra, apresenta temas documentais, abstratos, percorrendo caminhos e integrando linguagens visuais, tendências da arte do hoje que libera o artista para expressar em suas produções o que lhe parece adequado.

Em suas constantes viagens pelo mundo, parte de seu trabalho fotográfico é documental, buscando revelar o cotidiano e a cultura dos lugares escolhidos, celebrando aspectos peculiares a cada região. Na expo, aspectos do Marrocos, Peru, Portugal, de tantos outros países que propositalmente não nomeia, nem induz, destinam a cada indivíduo liberdade para a leitura de suas produções. O autor abdica de uma imposição no deciframento, para completar o processo no olhar do outro.
A mostra Pictoriais tem uma relação íntima com a técnica da pintura. Na realidade, a base artística de Rodrigo Frota foi o desenho e a pintura. Isso se reflete nas capturas aéreas que relembram Monet, as pontes da cidade do Porto levam a Mondrian, outros a pintores concretos como Arp, Tatlim, Wols e Kandinsky.
Em depoimento, o artista comenta: “As fotografias que faço têm características pictóricas. Procuro trabalhar com material que faz as fotografias parecerem pinturas”. Os jogos de luz e sombra, as silhuetas, os desfoques sugerem uma homenagem à técnica, que conheceu desde a infância, quando seus pais o levavam a galerias e museus de importância. Muito também de seus estudos no exterior. Rodrigo Frota faz releituras do mundo real, da fantasia, das fábulas e ambiguidades, das estruturas de narrativas visuais. Seu trabalho fotográfico é uma soma de fragmentações que trazem em seu bojo a forma, a linha e a cor.
São adições e novos acolhimentos, criando um universo paralelo de revelar mecânico de substituições. Se conceber se estabelece entre abstração e figuração, por vezes valorizando um ou outro aspecto. Construção singular de luzes e impactos visuais refinados. Rodrigo Frota desponta ainda bem jovem, uma referência na fotografia brasileira.
Cesar Romero

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A Fotografia, na segunda metade do século 19, provocou grande mudança na pintura. O impressionismo de Monet, Manet, Renoir, Van Gogh, Gauguin, Cezanne, surgiu quando esta nova técnica de reprodução de imagens tornou obsoleta sua função puramente descritiva; representativa da realidade. No impressionismo a pintura ganhou autonomia, pois as pinceladas e as nuances cromáticas passaram a ter mais importância do que o assunto abordado na tela. Do impressionismo ao cubismo de Picasso e Braque e à abstração de Kandinsky foi um caminho bem curto e que prosseguiu século vinte adentro incrementando sucessivas e contundentes revoluções.

Na segunda metade do século 20, quando as categorias tradicionais das artes visuais se derramavam umas sobra as outras, a fotografia, entre outras mídias, passou a representar também uma possibilidade de expansão para as questões da pintura (fotógrafos como Cindy Sherman, Andreas Gursky, Jeff Wall, Vik Muniz, são considerados grandes pintores da atualidade, o que exemplifica bem isso).

Rodrigo Frota, jovem artista cearense, tem olhar de Pintor, numa época em que é possível fazer pintura com a utilização de várias ferramentas, inimagináveis num passado não tão longínquo. Tem 27 anos e desde os 15, quando ganhou a primeira máquina fotográfica, investiu obstinadamente no ofício que já se podia vislumbrar ali. Dedicou alguns anos de sua vida a cursos de arte e fotografia no exterior, fotografou ao lado de Steve McCurry (famoso pela imagem da menina afegã que foi capa da revista National Geographic) nas exóticas , ensolaradas e místicas Myanmar e Índia; arquivou um vasto material que se intensificou nos últimos anos , a partir do qual fizemos o recorte ora exposto.

Em alguns momentos da mostra, como nas belíssimas paisagens de captura aérea, a eliminação da linha de horizonte (como em Monet),causa um efeito desconcertante que exige do expectador uma aproximação em busca de referências que lhe restitua o equilíbrio no espaço . Em outros, mais formalmente abstratos, a aproximação também se faz necessária para que se capte detalhes que redimensionam e enriquecem a primeira visão. Até mesmo nas fotografias mais claramente figurativas, o desfoque, o movimento e a saturação da cor enfatizam o aspecto pictórico da imagem; a transcendência da realidade.

Rodrigo Frota é um profissional inventivo, sensível, e rigoroso em todos os processos da elaboração de seu trabalho; do ângulo do click ao tipo de impressão das imagens; da temperatura cromática ao emolduramento. Eis um artista de quem temos muito o que esperar.
José Guedes

Abertura:
13 de julho de 2012

Exposição:
De 13 de julho a 11 de agosto de 2012